Os livros de autoajuda ajudam? Quando vendem bem, certamente ajudam o autor, mas vender bem significa um número grande de compradores que querem se autoajudar,resolver seus problemas. Todos pagam seu dízimo ao autor, guiados pela fé, pela promessa de que aquele amontoado de palavras vai ajuda-los.
O fenômeno do crescimento de vendas dos livros de autoajuda está ligado ao crescimento do número de pessoas que precisa de ajuda. Se esses livros funcionassem, o número de necessitados diminuiría, e os livros venderiam cada vez menos.
O autor de autoajuda depende do insucesso alheio, se ele escreve e publica é porque quer vender,se quer vender, quer compradores, logo ,quanto maior o índice de fracasso maior o índice de vendas. Não seria isso exploração do fracasso, algo condenável, assim como é condenável o enriquecimento através da exploração dos pobres, ou o enriquecimento através da exploração da fé como fazem essas seitas repugnantes?
Existe aquele que passou por uma experiencia difícil, conseguiu superá-la , e escreveu UM livro para compartilhar sua experiência e ajudar pessoas que enfrentam o mesmo problema. OK, mas quando esse autor decide escrever um segundo, um terceiro volume...Porque virar escritor? Porque não continuar sua vida, que fôra difícil mas que ele transformou superando as dificuldades tão maravilhosamente bem que decidiu escrever um livro? Será que é porque o sucesso subiu à cabeça, e a intenção nobre de ajudar foi substituída pela ganância de vender muitos livros e enriquecer? Afinal, ele não era um escritor, tornou-se um momentaneamente para ajudar o próximo.
E o autor de autoajuda fracassado, cujos livros encalharam? Não existe? Seria ele um escritor de autoatrapalhação? Poderíamos lê-lo para saber o que não fazer, e se isto der certo indicarmos aos amigos que indicariam a outros amigos e logo teríamos um sucesso de autoatrapalhação. Em seguida os autores de autoatrapalhação virariam fenomeno de vendas, baseados no conceito filosófico de que o verdadeiro sucesso vem do fracasso autêntico.
Esse nome ,autoajuda, está equivocado; a não ser que a autoajuda se refira à dificuldade que será encontrada pelo leitor que se dispuser a ler o livro até o fim. Faz muito mais sentido: é autoajuda porque o êxito da conclusão de uma obra dessas requer muita ajudar, como lemos sozinhos, a única ajuda de que dispomos é a nossa.
Eu nunca consegui ler um autoajuda até o fim, juro que já tentei mais de uma vez. Até Paulo Coelho eu tentei. Quando eu tinha 15 anos li A Erva do Diabo (não era autoajuda, que nem existia) e achei legal, mas aí eu comprei outro livro dele e era igual, passei a achar o Castaneda um mentiroso, me senti um otário.
É que eu acho que ler um livro deve ser algo que acrescente, intelectualmente prazeiroso, não precisa ser bom e limpo e bonito, pode ser sujo , podre, mau...
E se a pessoa não souber ou não conseguir ler e pedir que alguém leia para ela descaracteriza a autoajuda? Seria uma auto ajuda de três - o autor, o leitor e o escutador ? E a palestra de autoajuda? Imaginemos o autor de sucesso palestrando para uma centena de interessados em se autoajudar. Em teoria ele estaria ajudando essas pessoas o que descaracterizaria a autoajuda. Ao final da palestra, vários palestrados ( a quantidade depende da capacidade do palestantre de convencer que a coisa funciona) comprarão o livro e neste caso, quem se ajudou foi o autor e aí está caracterizada a auto ajuda.
O autor deveria ser honesto consigo mesmo e admitir que está enganando os outros, ou escrever livros em branco.